Cartão Postal para os viajantes!

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Inventou uma vida cigana, que percorria os caminhos que desenhava espelhados nas linhas das mãos. Esse é o tipo de transtorno obsessivo e coerente, para aqueles que gostam de acasos e que graciosamente os chamam de vivências. Gente dessa espécie, conta histórias levando nos olhos a bagagem de uma vida…

E pelas estradas aprendeu a estrangular saudades com pessoas que parecem te conhecer desde sempre. As mesmas que como você, também desistem de botar suas fichas na máquina quando o jogo perde a graça, mas choram assistindo séries de madrugada. Aquelas que dispensam o prato pra comer com a mão e com a mesma voracidade nada sofisticada, revelam seus desejos produzindo sensações e refletindo vontades explícitas, traduzidas no ato de se permitir, quando se entregam às intimidades.

Bagunçam a cabeça desordenada de origem e se divertem por isso, construindo personagens caricatas pra própria biografia. Nutrem idéias mirabolantes para os sonhos antigos e arranjam um jeito de te contar, seja nas fotos em movimento, nos desenhos realísticos, na música que ensurdece ou em seus blogs sangrando.

E quando inspiradas, são capazes de elogios desconcertantes e fazem graça dos seus defeitos, por se reconhecer em cada passo desengonçado da pessoa que agora anda ao seu lado. Gostam da ironia pra chamar de humor, citam cenas inteiras de seus filmes favoritos e guardam na mochila um arsenal completo de quem são ou o melhor de si, pra quem aceitar dividir um compartimento dela.

Racham o final da garrafa de vinho que há tempos mora na sua geladeira ou de longe, te acompanham em uma cerveja só pra assistir o show particular dos bêbados habilidosos, que fatalmente você dará em alguns instantes. É que pra essas pessoas, que riem de si mesmas como se rezassem, a graça está na insistência em recolher as peças, só pra ter a chance de espalhá-las de novo.

E esses que deixam o melhor de sua ausência em cada abraço que fica, que viajam construindo seu caminho como operários do próprio destino, sabem o preço caro que pagam por isso, mas compensam cada centavo, quando de frente pra um muro, sobem nos ombros dos seus ídolos e do seus medos, só pra ver aonde vai dar e continuar andando. Aproveitar desse prazer indescritível que é caminhar pra mais longe…

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Você é a palavra mais bonita que eu já vi…

E quando eu ia maldizer o dia que acordou torto e embolorado, abri a gaveta e lá estava (vencida) minha cartela de válvulas de escape. Caros leitores,  em casos como esse, não se apeguem ao copo d’água pela manhã, mas deixem seus sonhos pularem da cama (nota mental).

Poupo minha desventura do dia, pra lembrar daquela tarde que caía, derrubando desculpas, que nem um pijama se sustentou. Era na minha janela que o sol se apagava em desenhos com nuvens abertas. Minha mente se distraindo em cores e texturas, enquanto eu mergulhava em pensamentos que fluíam das origens da água daquela chuva, que eu via nascer… Virou noite e eu só queria um filme pra dizer tudo isso, que nem pela metade passou… 

Me saíram de casa dizendo que gente distrai a mente. Pode até ser, mas só me convenci quando conheci você…

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Chá de Melissa

Me disseram pra voltar, mas eu não abandono pedaços de mim por aí… Não mais! Eu tava aqui o tempo todo, disfarçada de leitora, pra ver se eu tirava uma cisma besta que anda colocando pregos no meu colchão… Ser o que parece, parecer o que não é, não ser o que é, sem saber o que sou! Entendeu? Nem eu…O charme virou escudo, como um vício insistente, daqueles que a gente acende um cigarro pra ver se troca de dependência…  “- Mas você parou de fumar há 3 anos e 4 meses!” Pois é, assim que eu sou! Entendeu? Nem eu…

E antes que eu te confunda mais, te explico só dessa vez que aqueles que ousarem a fazer em seus dias uma pequena revolução, terão que estar dispostos a embarcar em um caminho sem volta: Em um primeiro momento, serão incontáveis as interrogações estúpidas e as ressacas morais. Mas se você aprender a conviver com isso, verás que nada como um “tempo após um contratempo, pro seu coração”… Pensei em Chico e lembrei como queria começar contando isso tudo aqui:

Fui contrariada! E o cabra do outro lado, se têm o mínimo de sensibilidade, já pode perceber no que vai dar… O bom de ser curiosa nisso tudo é que quando te provocam, por mais desconfiança e preparações que você faça, se arriscar é um fato e os 50% de chances podem valer o dia, seja aqui ou do outro lado do mundo… E assim foi! Eu saí por aí aceitando bons conselhos que me contrariavam em bares, nas praças, nas ondas, nas janelas enormes, nas vistas do mundo, nas músicas, nos olhos que perguntavam e no silêncio que respondia. Fotografias jamais revelariam o sentido dessa história, pois só quem sentiu, pode ver…

E aí, meu dias começaram a raiar em outro lugar, que é tão bom de ser e eu nem sei mais o que eu era antes. E o que sou no momento: Consequência irremediável de tudo isso. Com todos os obstáculos, aventuras, encontros e reencontros que o pouco tempo já me deu de presente! Ainda bem…

E como ordens cronológicas não me cabem, em todos esses tempos, estou saindo por aí à bicicletar as linhas tortas que faço no chão e na cabeça, fundindo pensamentos fluídos com a rota à seguir. Dos ganhos, os melhores: Sorrisos pelo caminho, fôlego e uma puta dor de garganta por andar na chuva. (3 coisas que independente dos motivos, já valem a caminhada).

Eu nunca demorei tantas horas pra escrever, mas sabia que na hora que essa parte chegasse ia dar nisso: 9 horas para um texto que poderia ser mais rápido. Era só olhar pros meus pensamentos, mas fiquei com frescura e lá se foi o tempo me levando à interpretar algo que eu não acho palavras certas pra uma definição. Podia ser um desenho, mas minhas linhas são abstratas, podia ser cinema, mas minha atuação é de improviso, podia até ser em espanhol, mas só se fosse lá… Então seja lá o que for, ainda bem que existe um bar e as nossas conversas, pois meus amigos: Viver isso é melhor que escrever. Juro!

E pra vocês nesse ano, desejo uma frase roubada e compartilhada, pois assim a gente vai levando. Nessa pegada diferente, sem tantas explicações e justificativas, para novos começos seja no seu boa noite ou no seu bom dia: “Um para sempre feito de agoras”…

 

 

 

 

 

De lá pra trás, daqui pra frente…

Ano safado, esse que tá por fim, né?….  Das coisas boas que eu vivi, muito eu disse por aqui, mas a melhor delas eu nem tive tempo de explicar… Aliáis, eu nunca conseguiria explicar o fim de novembro… Por isso, a trilha endereçada do último post do ano, traduz…

Vai, 2014… Começou me engolindo em utopia de mudança e agora me cospe em certeza de transformação… Sacana você, mas pior eu, que te usei pra não te esquecer e vou te abusar até o último segundo! Desvairada e sedenta, como quem viveu 30 anos em 365 dias e tá prontinha pra nascer de novo, mas dessa vez sem o tapinha do Doutor pra ver se chora e diz “oi” pro mundo… Agora, sou eu que me bato e se tentar fazer isso por mim, apanha! 

E lá vai ele indo embora… Leve um pouco da sabotagem que me rodeia, disfarçada de segurança e tranquilidade, sabe como é? Tira um tanto desses maus hábitos e ranços que me cercam, de histórias mau resolvidas e culpas sem sentido. Tira o que conseguir e não esqueça de arrancar grande parte da minha hipocrisia, mas deixe a ironia intacta, pois dela ainda faço proveito…

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Tá, você me seduziu. E não vêm falar o contrário, pois não é possível que eu tenha ido atrás de tantos acasos inesperados que me fizeram mudar…. Ou é? ….

É, foi você que me fez porreta pra desconstruir aquela imagem idealizada que eu deixei que montassem sobre mim! Aquela coisa boba de se projetar na expectativa alheia e camuflar a missão que se têm. Mas cara, mesmo com esse peso todo montado, nunca conseguiram atingir o meu íntimo! Embaixo da idealização, morava uma realidade intacta, com solo fértil, pronto pra brotar o fruto protegido, que mesmo depois de tanto tempo guardado… vingou!

Tá bom, seu danado! Entre todos, acho que você foi o mais justo pra mim. E eu nem pedi tanto assim…. Ou pedi? De qualquer forma, foi massa! Valeu! E se eu puder pedir uma coisa ao seu sucessor, é que ele venha sem dó. Que me canse, mas não me desanime! Que transforme, mas que caiba em mim! Por ora tenho pouco, mas coração, disposição e uma bicicleta, penso ser suficiente…

 

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E o leitor aí vai ter umas pequenas férias! Aproveite pra explorar esse espaço e saiba que logo volto com coisa muito boa por aí, com mais tempo e novidades…

Psiiiiuuuu…. Já tá nascendo, não faz barulho.. deixa que eu tô acordando sozinha.

 

 

5 links pra valer uma tarde de ócio!

De tempos em tempo, eu pego um tantão de coisas que ando vendo por aí, separo e venho contar pra vocês! Sim, miscelânea de informações e distração pra um tempo ocioso, aqui você encontra!

1. Mulheres, que como eu, sonham com a liberdade de fazer um “xixi de pé”: Chegou a nossa vez!

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2. Tá desanimado? Veja 5 coisas para melhorar a vida que podem ser feitas em 5 minutos!

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3. Tá reclamando dos seus governantes e não faz nada pra ajudar? Conheça o projeto Serviços Gerais, aonde grupo que decide “reformar” São Paulo, consertando pequenas coisas pela cidade!

4. E se fosse possível tocar nas memórias? Pensando em como o tato é uma das maneiras que os deficientes visuais têm de enxergar,  uma agência espanhola produziu um vídeo lindo para apresentar a impressora 3D portátil The Bucaneer.

5.  Uma página do Facebook chamada Sinta-se Paulistano, que satiriza o lifestyle de quem vive na maior metrópole do país, criou de pôsteres divertidos que ensinam qualquer pessoa a se tornar um típico paulistano.

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Sobre as cores das pessoas…

 

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Eis que chega a primavera e o muito que eu li por aí não soava como florescer! Parecia coisa até pior que erva daninha, pois doía pra arrancar! É que talvez eu fosse inocente para os olhos de uns, que agradeço a doçura das palavras, mas firme e de coração valente para outros, que admiro e quero ao lado! E aqui, não passou o ódio ou a falta de compreensão, sobrando espaço pra transformar e não bitolar num “mimimi” interminável que não me compra, pois um país melhor eu faço quando dou bom dia e abro um sorriso, principalmente pra você leitor, que veio até aqui e está se dando o trabalho de me ler. E se me disser que leu, te prometo um abraço e nem precisa votar em mim pra isso! E se gostar de cores então, já temos muito em comum, pois essa é minha tribo…

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Daí trazem da Índia, o Holi, que é um é um festival das cores, pra comemora a chegada da Primavera. Neste dia, as pessoas atiram tintas das mais diversas cores umas às outras. E não é que deu todo sentido pra mim ter ido lá? É que eu gosto de palavras e principalmente de gente com “Cor”

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…Com Coração! Daqueles quentes que saem da boca e arrepiam, quando o tempo se perde na hora que olho trava. Com coração valente que enfrenta o seu medo por uma batalha, às custas das perdas necessárias. Com coração bandido que rouba a respiração contínua, que trava a garganta, dá nó nas tripas, seca a boca, mas que a gente não paga a fiança. E com coração companheiro, que não fica só em seu peito e aconchega mais que o travesseiro.

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…Com Coragem! De ser de verdade, sair do casulo e buscar olhar o mundo que não é só seu e é de todo mundo… De pedir desculpas ou pedir um beijo, sem medo da resposta… De falar de sentimentos à quem a gente gosta. De rir de si mesmo e fazer graça, de saber resolver quando a dor não passa e de não se abater, quando sentir que lá vêm a desgraça!

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…Com Corpo! Que é torto e desengonçado, com marcas e cicatrizes de histórias tatuadas, que não são escondidas ou mascaradas. Que é quebrado ou faltando um pedaço, que faz todo o esforço valer a conquista e cada conquista valer o próximo passo. Que é leve e fluído, que dança sem medo do ritmo e sem ver a balança pra medir as vontades que ele produz. Com corpo disposto e desperto que sinaliza e se molda de acordo com os movimentos que ele mesmo induz. E com corpo que abriga e acolhe a gente, quando tudo que se quer é se encostar, se “preguiçar”, se abraçar e … sei lá, ver um filme…

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(Fotos: Denise Sicari, Marcelo Leal de Oliveira e Tatiana Bittar)

 

 

Estado separatista, a gente vê por aqui!

É brasileiros, aí vai o desabafo de Facebook que virou texto longo e agora post com mais algumas coisas, pra uma segunda-feira daquelas!!!

…Queria dizer que não entendo a comemoração de muita gente. Nosso país democrático disse tanta coisa nas urnas, que é tudo muito preocupante… Mas como somos bairristas e o que importa pra muitos é vestir a camisa do estado, vejamos o que se passa por aqui: A vida em São Paulo tá sendo feita pra você, leitor de Facebook, se esconder e ficar guardadinho na sua casa, saindo pras ruas só de carro e se tiver uma grana, blindado. E esse trânsito que você posta todo dia na sua fotinho do Instagram, que gera o curtir de meia dúzia, você até já se acostumou, né? Colocou sua música no rádio, viu uma piadinha no “Zap Zap”, deu uma desculpinha pro chefe, reclamou da faixa dos ciclistas e foi lá viver seu mundinho de umbigo. Enquanto isso, no metrô, nem te conto: Tá todo mundo espremido que nem sardinha, esperando um milagre de uma linha à mais, contando o tempo pra ver se consegue entrar no vagão e o Instagram, é do trânsito de gente ou dos ratinhos nos trilhos do trem. É amigo, mas vamos comemorar! Bora pro happy hour da semana? Sua breja esperta com os amigos no bar? Putz, chega cedo tá? Pois tá acabando a água e eles vão precisar fechar! Mas tranquilo, por enquanto tá frio, né? Deixa chegar o verão, daí de duas uma: Ou a gente morre seco, ou afundado em um monte de alagamento. E segurança? Fica em casa ou vai pra sua baladinha bacana, mas fecha o vidro porque a rua tá perigosa! Pois se depender da polícia você tá lascado, né?

É, pois é! Mas se ficar doente, conta com seu seguro saúde, pois hospital público, você sabe! Mas mesmo assim: Comemora, gente! Seus deputados então, poxa vida! Que orgulho desses caras que vão te representar. Mas dane-se, né? Você vai esquecer e eles vão sambar lá no palácio, com um salário astronômico que você deu! Mas não te atinge, pois sua vida tá ganha! Seu trabalho garantido! O seu Governador, seu Presidente, isso sim: Tem que ter a imagem sólida, de verdadeiros heróis, paladinos da justiça que vão combater a escória da sociedade. Pra que olhar dos lados e perceber os outros, se eu posso colocar a culpa de todos os problemas do mundo em um partido! Fica mais fácil a vida assim, né? Selva de Pedra é um apelido que nos cai tão bem! 

Nesse mundo de São Paulo tão sozinho que se separa em classes e perfis tão determinados, que não buscam a argumentação e a coerência juntos, que não se entendem, que se atacam e pior, que comemoram! A política vira o futebol de times opostos e rivais fervorosos! Não somos o mesmo time, Brasil. Infelizmente a gente disputa nossas diferenças e temos orgulho de uma vitória, atacando a derrota do outro, oprimindo quem vota o contrário e pior: Pedindo a separação das regiões e se vangloriando de ser os melhores e sustentar o resto do Brasil. Puta qui pariu, Sampa! Aprender a te chamar de realidade, mesmo sendo o avesso, do avesso, do avesso, do avesso que um baiano te cantou é ter que assumir, engolindo sem degustar, como o estado que me representa. E cada palavrinha de ódio disseminada nessa grande comunidade virtual, parece que saiu da minha boca também. Eu sou o resultado de uma maioria, que não vai nem me olhar no meio dos números e estatísticas. E se me ver, vai fingir que nem me viu: Me ignorar como fazem todos os dias, quando andam apressados por aí, tropeçando nos outros sem pedir desculpas… Isso aí virou eu agora, que me sinto uma merda por isso!

Isso não é pro PT, PSDB, PV, DEM, PSB, PMDB, PSD, PSC, PR, PTB, PRB, PPS, PCdoB, PSOL, PEN, PP, SD, PTD, PHS, PTN, PSL, PRP, PROS, PTdoB, PTC, PRTB, PPL, PMN, PSTU, PSDC, PCO. Essa é pra você, eleitor, como eu! E desse jeito, isso aqui não vai dar certo, nem que a melhor pessoa do mundo tivesse sido eleita….